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#Barcelona1992: o AA mais controverso da história!

as medalhistas olímpicas Shannon Miller, Tatiana Gutsu e Lavinia Milosovici, 
Os Jogos Olímpicos de Barcelona, realizados entre o fim de julho e a primeira quinzena de 1992, são até hoje um dos eventos mais lembrados por fãs da ginástica em todo o mundo. O motivo parece óbvio: Barcelona marca o fim de uma era de exatos 40 anos de dominação soviética na ginástica feminina, é também a última olimpíada em que é possível ver ginastas em sua maioria artísticas, em que a coreografia e a dança prevalecem sobre a dificuldade, mas esses jogos também foram palco de uma das mais controversas e questionadas conquistas olímpicas: o ouro da ucraniana [representante da EU] Tatiana Gutsu no AA. 

Esse título é carregado de discussão porque, teoricamente, Gutsu não deveria ter competido na final, uma vez que, pelas regras da época, apenas 3 ginastas de cada país poderiam disputar a final. Classificada com o nono melhor score, a quarta nota da Equipe Unificada (UN), ela estaria fora! Porém, após uma estratagema da Equipe Unificada, Tatiana acabou competindo a final!

Antecedentes: classificação e o caminho até a final!

Diferentemente de hoje, a etapa classificatória para as finais na ginástica se dava em dois momentos: primeiro as ginastas realizavam uma série obrigatória (compulsory), que era igual para todas as ginastas, e em seguida uma série opcional (optionals), em que as ginastas deveriam cumprir alguns requisitos, mas poderiam montar a série como quisessem (mais informações). Essas apresentações serviam também como TF. Após dois dias de competição, a americana Shannon Miller obteve o maior somatório (79.311), ficando a frente da vice-campeã mundial à época Svetlana Boguinskaya (79.287) e da medalhista de bronze no mundial de 1991, a romena Cristina Bontas (79.211). 

As demais ginastas classificadas com chances reais de conquistaram medalhas foram Lavinia Milosovici (ROM), Tatiana Lyssenko (EU), Gina Gogean (ROM) e Roza Galyeva (EU). Tatiana Gutsu, que era cotada como uma das grandes favoritas a conquistar o título olímpico do individual geral, após seu êxito no Campeonato Europeu daquele ano, errou na entrada da trave e acabou perdendo a vaga por 0.037. 
"Foi um erro imperdoável. Eu me senti tão envergonhada e triste ao mesmo tempo. Eu queria desaparecer".¹
Passado isso, a Equipe Unificada sagrou-se campeã olímpica por equipes, deixando romenas e americanas, respectivamente prata e bronze, bem para trás no somatório final. Logo depois, o coordenador técnico da EU, Alexander Alexandrov, anunciou a lesão de uma das atletas: Roza Galyeva não competiria na final do AA, a ser realizada dois dias depois. Com isso, Gutsu estaria na final! Na época, muitos questionaram o que realmente havia acontecido com Galyeva, alguns diziam que essa lesão foi uma estratagema para colocar Tatiana na final, uma vez que ela tinha bem mais chances de conquistar o ouro do que Roza. 

Descobriu-se depois que tudo era verdade. Gutsu é muito criticada até hoje por ter disputado a final no lugar de sua colega de equipe e por ter vencido, que muitos dizem ter sido roubado e que na verdade a medalha de ouro pertence à americana Shannon Miller.

A Final: expectativa até a última nota!

Essa final fora a mais apertada de toda a história, tendo a medalhista de ouro vencido por 0.012 em relação a medalhista de prata. Gutsu e Miller foram as protagonistas desse embate épico que teve Lavinia Milosovici como coadjuvante. 

de trás para frente: Miller, Gutsu, Milosovici 
As favoritas ao título deram início a competição nas barras assimétricas. Tatiana fora a primeira, conquistou o maior score nesse aparelho na final (9.950). Minutos depois foi a vez de Shannon, com uma apresentação muito boa, conseguiu a segunda melhor nota da final (9.925). Aparelho após aparelho, o pódio foi se desenhando e começava a ficar evidente quem seria as medalhistas, a ordem, porém, foi definida apenas no último aparelho.

No salto, Miller saltou por primeiro e executou um lindo FTY, que na opinião de muitas pessoas merecia um dez! Tatiana fora a última atleta a saltar. O salto que ela apresentou foi o mesmo da sua principal concorrente, porém com uma execução fora inferior, o que lhe rendeu um 9.950, suficiente para conquistar ouro.

No Campeonato Mundial de 1991, Tatiana, Shannon e Lavinia encontravam-se nessa mesma sequência, porém em quinto, sexto e sétimo lugares, respectivamente. Dessa vez, ambas estavam no pódio.

Na minha opinião, Shannon foi underscored no salto, por outro lado, sua nota da trave foi um pouco over. Ainda assim, acredito que a medalha de ouro na verdade deveria ter sido conquistada por ela. Miller foi vítima do mesmo sistema que hoje lesa atletas não-americanas: como os EUA estão no topo atualmente, os juízes acabam beneficiando as atletas desse país, ignorando ou descontando pouquíssimo de erros visíveis. Um claro exemplo disso é o que aconteceu em Atenas 2004 (acompanhe aqui) e com Viktoria Komova em 2011 e 2012.

  • Material consultado:
  1. Controversial Soviet Gold Medalist Tatiana Gutsu Reflects from West Bloomfield
  2. 1992: Tatiana Gutsu Narrowly Wins Over Shannon Miller
  3. Zmeskal steps out, then down World champion is tearful 10th as Gutsu, Miller reign BARCELONA '92
  4. BARCELONA: GYMNASTICS; Gutsu Beats Miller and Stashes Gold in the Vault
  5. Ukrainian 'Substitute' Captures All-around Gold
  6. Putting to rest Miller vs Gutsu. For now.
#Barcelona1992: o AA mais controverso da história! #Barcelona1992: o AA mais controverso da história! Reviewed by Gabriel Lima on 13:24 Rating: 5

3 comentários:

  1. Atenas 2004? Paterson merecia mais do que a Khorkina msm!

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    1. Sobre Atenas, me referi ao que aconteceu no AA masculino. E sobre o feminino, ainda há uma dúvida também sobre a nota de salto da russa Khorkina.. Os juízes ficaram um tempo discutindo, telefonando...

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  2. Essa pose da Tatiana daria um meme incrível. Olha a cara da Shannon. E a Lavínia...

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